Barra de São Francisco tem 02 das 224 obras federais paradas no Espírito Santo


 

Das 224 obras do governo federal que estão paradas no Espirito Santo, pelo menos duas estão em Barra de São Francisco.

Uma delas é a creche do bairro Irmãos Fernandes, iniciada na gestão de Luciano Pereira. A outra, drenagem e pavimentação de ruas no valor de R$ 1,088 milhão.

Algumas construções começaram a ser erguidas há quase 20 anos e ainda não foram concluídas. É o que aponta um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU).

Para o economista e mestre em planejamento e políticas da Universidade de Vila Velha, Wallace Milles, por trás dos atrasos estão questões como a má qualidade de planejamento dos projetos, as disputas políticas em torno das obras e a corrupção.

O primeiro problema é a concepção do projeto em si. A qualidade do planejamento do projeto interfere muito, pois muitas vezes é definido um escopo para o qual não se tem recursos necessários. Às vezes se define um conjunto de entregas para as quais nem se tem tempo de realizá-las dentro de um mandato”, explica o professor.

A troca de mandatos, inclusive, também é outra causa de atrasos e de paralisações. “Há uma descontinuidade das obras públicas quando mudam os governos”, diz Milles. Sobre isso, ele pontua: “Precisamos entender que as obras públicas são da sociedade, não marcas de governo”.

Por fim, o processo de execução das obras também pode ser bastante complexo devido aos custos operacionais, a burocracia das licitações e a necessidade de supervisão dos projetos.

De acordo com o professor, a situação se torna mais difícil quando há necessidade de retomada de obras paradas. Nesses casos até mesmo as possibilidades de corrupção podem ser maiores.

“A corrupção muitas vezes está dentro dos aditivos contratuais. Quando nós temos um bom projeto, licitações, licenciamentos bem elaborados e áreas desapropriadas, não há motivo para um projeto ser interrompido”, ressalta Wallace Milles.

O professor aponta para a necessidade de mudanças nesse processo para que o número de projetos estagnados ou descontinuados seja reduzido.

Nós precisamos pensar em outros modelos de execução de obras públicas, seja por parcerias público privadas, por concessões ou por mudanças no marco legal das licitações para encurtar o tempo entre medição e pagamento e para reduzir o caráter discricionário, ou seja, a interferência da vontade do gestor de fazer ou não aquela obra”, conclui.

Obras paradas na região

Água Doce do Norte 
2016 
Aquisição de Patrulha Mecanizada – R$ 281 mil

2017 
Aquisição de Patrulha Mecanizada – R$ 290 mil

Águia Branca  
2017 
Aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas – R$ 300 mil

Alto Rio Novo
2016  
Aquisição de Patrulha Mecanizada – R$ 195 mil
Implantação de infraestrutura esportiva – R$ 252 mil

Barra de São Francisco  
2015 – Construção de Creche no bairro Irmãos Fernandes
2016 – Drenagem e pavimentação de ruas – R$ 1.088,556

Ecoporanga 
2016 
Aquisição de Patrulha Mecanizada – R$ 170 mil

2017
Reforma e ampliação de UBS – R$ 430 mil

Mantenópolis 
2017  
Construção de galeria pluvial – R$ 285,9 mil

Vila Pavão
2015
Construção de campo de futebol – R$ 417 mil
Quadra poliesportiva coberta – R$ 446,9 mil

2017
Aquisição de Patrulha Mecanizada – R$ 274 mil