“Contestado, a Guerra sem Tiros’, do cineasta Cloves Mendes, será exibido em Barra de São Francisco nesta quarta-feira, 6

No dia 16 de janeiro de 2013, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), anunciavam o lançamento do curta-metragem “Contestado 50 anos”, do cineasta Cloves Mendes, em parceria com Romulo Mussielo pela passagem dos 50 anos do final do conflito na região de divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, que se estendia desde Iúna e Afonso Cláudio, que faziam limite com Mutum (MG) até Ecoporanga, já no extremo noroeste do Espírito Santo.

O curta, que tinha 30 minutos de duração, reunia depoimentos de personalidades regionais e pode ser considerado a base para o lançamento do filme documentário “Contestado, a Guerra sem Tiros”, que foi exibido recentemente em Mantena, Itabirinha, São João de Manteninha, Divino das Laranjeiras e Central de Minas, cidades mineiras do Contestado.

O longa também será exibido no Espírito Santo. Nesta sexta-feira, 1º de julho, será lançado, às 19h, no Cine Metropolis, na Universidade Federal do Estado (Ufes), com entrada gratuita.

Na próxima semana, mais precisamente na quarta-feira, 6, em Barra de São Francisco, no plenário da Câmara Municipal, no dia 8 em Mantenopolis e nos dias 9 e 10 em Áqua Doce do Norte e Santa Luzia do Azul, na praça principal. Em Ecoporanga e Cotaxé, as datas ainda estão por definir. As sessões são sempre às 19h.

A ideia, segundo Cloves, é que, futuramente, “Contestado, a Guerra sem Tiros”, chegue também às cidades do sul da Bahia. Estão previstas exibições em Belo Horizonte e Governador Valadares em setembro, mas os dias ainda não foram definidos.

Sobre o cineasta

Cloves Mendes, que nasceu em Mantena, Minas Gerais, é sobrinho de José Fernandes Filho, o Fernandinho, que geriu essa cidade em parte da década de 50, auge da disputa do Contestado. Por isso, o assunto era muito presente em sua família. Ele recorda que a disputa pelo território que abrange parte dos três Estados durou cerca de um século, findando somente com um acordo feito em 1963, que definiu as áreas que cabiam a cada unidade federativa.

O cineasta destaca que, em meio à disputa de terra, Barra de São Francisco, no noroeste do Espírito Santo, ficou conhecida como Sentinela Capixaba, por ter sido formado ali um grupo de resistência, pois acreditava-se que soldados mineiros adentrariam o território capixaba por meio dessa cidade para chegar até o litoral. Ele recorda ainda que, em 1956, auge da disputa, em um mês foram registradas 68 mortes em Mantena e 62 em Barra de São Francisco.

Essa disputa, relata, acabou fazendo com que surgissem lideranças como Udelino Alves de Souza, que queria criar na região o Estado União de Jeová, cuja capital seria em Cotaxé, Ecoporanga. “Ele chegou a criar um hino e cidades”, diz o cineasta, que recorda ainda que foi dada trégua na disputa do Contestado para combater o Estado União de Jeová. Quando tiveram êxito, a disputa do Contestado foi retomada.

O documentário, que tem 80 minutos, demorou 12 anos para ser finalizado. “Algumas das pessoas entrevistadas até já morreram nesse período, como Setembrino Pelissari, que era deputado estadual na época do acordo que deu fim à disputa”, diz Cloves.

Uma das dificuldades para a finalização foi a falta de patrocínio. Desses 12 anos, oito foram de paralisação total do processo de produção, retomado durante a pandemia, quando Cloves resolveu fazer uma vaquinha virtual e conseguiu arrecadar maior parte do dinheiro que faltava para finalizar a obra, que era pouco mais de R$ 30 mil.