Desemprego atinge 3,3 milhões de brasileiros, maior patamar desde 2012

No Brasil, 1 em cada 4 desempregados busca uma vaga há 2 anos ou mais. Emprego com carteira é o menor já registrado

Barra de São Francisco – ES

Apesar do recuo da taxa de desemprego em junho, o número de brasileiros buscando uma vaga há mais de dois anos nunca foi tão alto. O desemprego de longa duração atinge 3,347 milhões, informou na manhã desta quinta-feira o IBGE.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do segundo trimestre de 2019, esse é o maior patamar já registrado desde 2012 (quando teve início a série histórica do IBGE), quando havia 1,516 pessoas nessa condição, e reflete a longa crise econômica que se abateu sobre o país. Com isso, um em cada quatro desempregados no Brasil está nesta condição há mais de dois anos.

Para a analista do IBGE, Adriana Beringuy, esse aumento está ligado à dificuldade dos desempregados se reinserirem no mercado de trabalho:

— Essa é uma resposta a um processo de redução da ocupação nos últimos anos. A gente percebe que de 2015 para cá está diminuindo a participação de pessoas procurando emprego entre um mês e um ano, e aumentando participação de pessoas procurando trabalho há mais de dois anos — explica.

Ainda de acordo com a analista, os resultados quantitativos positivos do último trimestre ainda não são acompanhados por ganhos qualitativos. A taxa de desocupação do país caiu 0,7 pontos percentuais, passando de 12,7% no primeiro trimestre do ano para 12% no segundo.

— Regionalmente, isso não foi observado em todos os estados do país. Das 27 unidades da federação a queda só ocorreu em 10 delas, mostrando que não foi um fenômeno disseminado — pondera Adriana.

Além disso, o percentual de trabalhadores com carteira assinada caiu, passando de 75% dos trabalhadores do setor privado no segundo trimestre de 2018, para 74,3% no mesmo período deste ano. O rendimento médio, estimado em R$ 2.290, também apresentou queda em relação ao trimestre anterior (R$ 2.321) e também em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (R$ 2.295).

Pós-recessão

Depois de atravessar uma recessão entre 2014 e 2016, o país cresceu só 1% em 2017, avançou na mesma taxa no ano passado e, este ano, deve ter expansão de só 0,8%.

A taxa de desemprego foi de 12% em junho, abaixo dos 12,4% registrados no mesmo mês do ano passado. Mas o número de desempregados que buscam uma vaga há pelo menos dois anos cresceu em 196 mil neste período.

Com isso, um em cada quatro desempregados no Brasil está nesta condição há mais de dois anos.

– A proporção de pessoas à procura de trabalho em períodos mais curtos está diminuindo, mas têm crescido nos mais longos. Parte delas pode ter conseguido emprego, mas outra aumentou seu tempo de procura para os dois anos – avalia Adriana Beringuy, analista da Pnad Contínua, a pesquisa do IBGE que levanta dados do mercado de trabalho.

O elevado tempo de procura por emprego é um dos fatores que ajudam a explicar o desalento, que ocorre quando o trabalhador desiste de buscar uma vaga por acreditar que não conseguirá obtê-la. No segundo trimestre, o país tinha 4,9 milhões de desalentados.

Por estados da federação, a Bahia é o que tem o maior número de desalentados: 766 mil pessoas. No Maranhão, são 588 mil pessoas.

Em outro indicador de deterioração do mercado de trabalho, a parcela de trabalhadores com carteira assinada no setor privado é o menor da série histórica: 74,3%. No segundo trimestre do ano passado, eram 75%.

Este ano, o emprego sem carteira avançou em 7 das 27 unidades da federação no segundo trimestre. No Rio, o aumento foi de 9,3%. Em março, 2.361 trabalhadores fluminenses não tinham carteira assinada. Em junho, este contingente foi de 2.411.