Pavilhão da Saúde de Barra de São Francisco é usado como depósito de resíduos, denuncia vereador

13 de julho de 2017 às 23:14 O vereador Admilson Brum acusa a administração de Barra de São Francisco de usar o Pavilhão da Saúde como depósito de resíduos.

Segundo Admilson, ele e o vereador Paulinho do Hospital, flagraram nesta quinta-feira, 13 de julho de 2017, um descuido com a saúde do município.

Admilson Brum disse que, assim que eles chegaram ao local, houve movimentação e logo após o lixo foi retirado. “Não tivemos informações para qual local foi destinado”, disse Admilson Brum.

“Um setor que cuida da saúde da população jamais poderia aceitar esses Resíduos de Serviços de Saúde(RSS) no local. A Vigilância Sanitária de Saúde funciona no local e nenhuma providência foi tomada. Temos informações de que constantemente o lixo é colocado nos fundos do Pavilhão sem nenhum cuidado”, destacou o vereador.

As pessoas que manipulam, ou têm contato com os Resíduos de Serviços de Saúde (RSS), têm sua saúde exposta a riscos, sendo que o manejo de forma incorreta destas, pode levar a um aumento do número de casos de infecções. Já em relação à questão ambiental, os RSS quando presentes nos lixões poluem lençóis freáticos e corpos hídricos devido ao chorume formado pelo acumulo do lixo.

Chorume é o resíduo líquido formado a partir da decomposição de matéria orgânica presente no lixo.

Pode infiltrar-se no solo dos lixões e contaminar a água subterrânea. O chorume possui grande concentração de substâncias com alta Demanda biológica de oxigênio (DBO).

No dia 7 de setembro de 2004 entrou em vigor a Resolução da Diretoria Colegiada, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária/ANVISA, n° 306, onde estão definidas as classificações dos RSS e qual o devido gerenciamento a ser dado para cada grupo.

  • Grupo A: dentro deste grupo são encontrados resíduos que possivelmente possuem agentes biológicos, desta maneira, apresentando riscos de causar infecções. Divide-se em 5 subgrupos (A1,A2,A3,A4 e A5), baseado nas diferenças entre os tipos de RSS que possuem estes agentes.
  • Grupo B: nestes resíduos estão presentes substâncias químicas que, possivelmente, conferem risco à saúde pública ou ao meio ambiente.
  • Grupo C: englobam materiais oriundos de atividades humanas que possuem radionuclídeos em quantidades acima dos limites aceitáveis segundos as normas do CNEN.
  • Grupo D: neste grupo estão presentes os resíduos que não apresentam risco químico, biológico e nem radioativo para a saúde dos seres vivos, muito menos ao meio ambiente, como por exemplo, papel de uso sanitário, fraldas, restos alimentares de paciente, entre outros.
  • Grupo E: grupo onde estão os materiais perfurocortantes ou escarificantes.

Etapas do recolhimento

A realização de um devido gerenciamento dos RSS é de extrema importância na neutralização dos possíveis riscos à saúde dos seres humanos e também ao meio ambiente. Este gerenciamento é feito através de um conjunto de ações que tem seu início no manejo interno, onde é realizada uma segregação adequada dentro das unidades de serviços de saúde, visando à redução do volume de resíduos infectantes. Dentro deste manejo existem etapas:

  • Segregação: é feita através da separação dos resíduos no instante e local de sua geração.
  • Acondicionamento: embalar em sacos impermeáveis e resistentes, de maneira adequada, todos os resíduos que foram segregados, segundo suas características físicas, químicas e biológicas.
  • Identificação: esta medida indica os resíduos presentes nos recipientes de acondicionamento.
  • Armazenamento temporário: acondiciona temporariamente os recipientes onde estão contidos os resíduos, próximo ao ponto em que eles foram gerados. Esta medida visa agilizar o recolhimento dentro do estabelecimento.
  • Armazenamento externo: refere-se à guarda dos recipientes no qual estão contidos os resíduos, até que seja realizada a coleta externa.
  • Coleta e transporte externos: refere-se ao recolhimento dos RSS do armazenamento externo, sendo encaminhado para uma unidade de tratamento e destinação final.

Tratamentos dos Resíduos de Serviços de Saúde

O tratamento dos RSS é de extrema importância, pois consiste na descontaminação dos resíduos, através de meios químicos ou físicos que devem ser feitos em locais seguros. Esta etapa pode ser realizada através de diversas maneiras:

  • Processos térmicos: através da realização da autoclavagem, incineração, pirólise, ou até mesmo uso de aparelhos de microondas.
  • Processos químicos: previamente os matérias à passarem por este processo devem ser triturados para que haja um aumento na eficiência deste. Em seguida à trituração os RSS são imersos em desinfetantes por alguns minutos.
  • Irradiação: neste caso, há uma excitação da camada externa dos elétrons das moléculas, devido á radiação ionizante, deixando-as carregadas, sendo assim haverá um rompimento do material genético (DNA ou RNA) dos microrganismos, resultando na morte dos mesmos.

Por fim, após todos estes processos, o material resultante é encaminhado para um aterro sanitário que possua licenciamento ambiental. Nos casos de municípios que não possuem esta opção, vem sendo muito utilizada a implementação de valas sépticas, onde os RSS são depositados nestas valas escavada no solo, que em seguida é revestida por uma manta plástica impermeável, protegendo assim contra possíveis contaminações ao meio ambiente.