Produtores suspeitam que onça matou bezerros no Norte do ES

A presença de uma onça no Norte do Espírito Santo está deixando os moradores amedrontados. Bezerros foram atacados e alguns produtores rurais estão até mesmo deixando os animais presos para tentar evitar novos ataques.

O último ataque ocorreu na semana passada na zona rural de João Neiva. Um bezerro apareceu morto na manhã de quarta-feira (31), na propriedade rural do agricultor Rafael Torre Mariano, de 30 anos. O animal estava com o pescoço dilacerado e ossos do pescoço estilhaçados.

De acordo com Rafael, os moradores da região já falavam de uma onça que estava rondando várias propriedades rurais. “Mas ninguém ficou sabendo de ataque. Nós até ficamos sabendo de uma onça que havia sido atropelada na rodovia, e imaginamos que poderia ser a mesma”, explica.

Segundo o agricultor, que possui mais bezerros e vacas de pequeno e médio porte, todos os animais foram alojados em um curral na propriedade para que sejam evitados novos ataques.

“Até eu estou com medo. Eu ando sozinho e sem proteção. E os animais? Não tenho coragem de deixa-los soltos tão cedo, mas também não sei até quando eles vão aguentar presos. Estão acostumados a andar pelo pasto e ficarem livres”, comenta.

Ele conta que há cerca de duas semanas, um caso semelhante aconteceu com um vizinho. em um sítio, a 3 km de sua propriedade, um bezerro também foi atacado e encontrado morto da mesma forma. “Mas os donos não tiraram foto, não sabem dizer se foi onça. Mas eu tenho 99% de certeza que o meu bezerro morreu atacado por uma onça.”

Habitat natural

O presidente do Instituto Últimos Refúgios, Leonardo Merçon, conta que o desmatamento é o principal motivo que leva animais a saírem de seus habitats naturais e buscarem alimento em outros lugares.

“O bicho está com fome e ele precisa comer. Nós vemos isso muito com as onças-pardas, que conseguem sair mais da mata do que as onças-pintadas”, diz, respondendo à dúvida do agricultor quanto à subespécie do animal.

Para Leonardo, o desequilíbrio ambiental deixa a onça-parda sem alimento e a solução que ela encontra é buscar comida em criações. No entanto, o presidente do Instituto Últimos Refúgios garante que ataque a pessoas é raro. “As onças são inteligentes. Elas têm medo do ser humano”, justifica.

Ainda assim, ele recomenda que as pessoas fiquem atentas e cuidadosas, principalmente comas crianças. “Mas não é por ser onça. Estatisticamente, uma cobra ataca muito mais humanos do que uma onça. É só porque realmente os pais precisam ser cautelosos”, aponta.

Números

No Espírito Santo, um levantamento do Instituto Últimos Refúgios revela que há cerca de 30 onças pintadas, que ficam concentradas em Sooretama, Região Norte do Estado. Em contrapartida, não há uma estimativa de onças pardas.

Leonardo esclarece que o número dessa subespécie não é possível de ser levantado porque esses animais se locomovem muito e por longas distâncias, o que dificulta o mapeamento.

Fonte: TV Gazeta