Vereador denuncia ex-secretária Agraciene por carga horária total de 50 horas em Barra de São Francisco e Águia Branca

Por Tiago Martins / SiteBarra

Agraciene da Silva Veríssimo de Alcântara, ex-secretária de Ação Social de Barra de São Francisco

A servidora pública de Barra de São Francisco Agraciene da Silva Veríssimo de Alcântara  está conseguindo cumprir uma carga horária de 50 horas semanais, sendo 20 horas em Águia Branca e 30 horas em Barra de São Francisco/ES, o que é praticamente impossível, segundo denúncia do vereador Admilson Brum (PRB).

Os municípios ficam distantes 40 quilômetros um do outro. “Uma simples matemática é suficiente para mostrar a impossibilidade da servidora, que é assistente social, cumprir os horários. Como são 30 horas em Barra de São Francisco, ela trabalha das 08h às 14h, de segunda a sexta-feira, completando 30 horas semanais“, diz o vereador.

Deixa o trabalho e pega estrada em direção a Águia Branca, que fica a 40 quilômetros de Barra de São Francisco, onde terá que trabalhar mais quatro horas por dia, de segunda a sexta-feira, para completar 20 horas semanais.

Dessa forma, fica claro que a servidora está ocupando dois cargos públicos em municípios diferentes, com cargas horárias quase impossíveis de serem cumpridas, além de ser de fato – e não de direito“, denunciou.

Agraciene deixou secretaria

Agraciene foi a primeira secretária de Assistência Social da administração do prefeito Alencar Marim. Logo após assumir o cargo, alguns questionamentos foram feitos em relação à carga horária. Antes de completar dois meses da nova administração, ela foi a primeira secretária do grupo a deixar o cargo, mesmo assim tentaram esconder, veja aqui.

Depois, a prefeitura divulgou nota afirmando que Agraciene deixou o cargo por não conseguir atender a demanda exigida. Veja aqui.

Ela deixou de ser secretária e voltou para o cargo de Assistente Social.

Falta de ponto eletrônico

Na Secretaria de Assistência Social de Barra de São Francisco e muito menos no CRAS, que fica no Condomínio Nova Barra, não existe ponto eletrônico. O controle de entrada e saída dos servidores é feito manualmente em uma folha de papel, onde cada qual coloca seu horário de entrada e saída de próprio punho, sem nenhuma fiscalização.

Isso facilita o controle fraudulento de entrada e saída de servidores e facilita a ação da servidora Agraciene, que, segundo servidores da mesma secretaria, é conhecida como turista. “Nós até achamos muito bom que ela não esteja aqui, pois é muito autoritária e perseguidora, mas é o povo que paga nosso salário e ela não pode abusar assim da população indo ao trabalho só na hora que quer”, disse um servidor.

Por ter dois empregos em municípios diferentes, ela não cumpre horário de trabalho. Quase nunca é encontrada aqui na secretaria e quando aparece é para humilhar servidores, ficar dando ordens como se fosse a secretária e praticando assédio moral contra aqueles que ela não simpatiza ou que não seja eleitor do atual prefeito. E tudo isso é feito com o conhecimento do nosso secretário, que não manda absolutamente nada. A bem da verdade, ele é mandado por ela”, disse uma servidora.

Secretário de fachada

Servidores afirmam que o secretário da pasta é um secretário figurativo, que faz o que a servidora Agraciene determina. De acordo com um servidor da secretaria, “o secretário não apita nada”, pois quem dita as regras é a Agraciene, “que vive maltratando e perseguindo os servidores com os quais não simpatiza e os que não votaram no atual prefeito”. Para os servidores ela é um poço de autoritarismo e prepotência.

Essa mulher toca terror aqui na secretaria e o nosso secretário, que deveria ser quem desse as ordens por aqui, na maioria das vezes recebe ordens dela e cumpre tudo calado. E ai dele se falar alguma coisa”, conclui o servidor, salientando que gostaria que o prefeito tomasse providências, mas sabe que isso jamais acontecerá, pois o atual administrador “está tão lento e tão por fora das coisas, que mais parece um cachorro que cai de caminhão de mudanças”.

Projeto Incluir

Mesmo temendo represálias, um servidor contou que a Agraciene é totalmente contra o Projeto Incluir, do Governo do Estado, que está previsto para durar até 2020. De acordo com o servidor, Agraciene diz para todo mundo que ainda vai acabar com esse projeto e que só botará os pés no CRAS quando esse projeto for excluído do Município, pois “detesta os operadores desse projeto”.

Servidores reclamam do abandono

Outra denúncia é de que no CRAS os servidores estão jogados ao léu. Nem água tem no local e eles têm que fazer vaquinha para comprar água potável. “As condições de trabalho no CRAS são péssimas, o que dificulta uma prestação de serviço de qualidade e demonstra a incompetência do secretário, que se deixa dominar por uma mulher mandona e incapacitada para o cargo de chefia, uma vez que não respeita os servidores”, acrescentou.

Risco de Dengue

É de conhecimento geral que recentemente foram encontradas larvas do mosquito transmissor da Dengue em um banheiro do CRAS, razão pela qual os servidores foram orientados pelos agentes de endemias a limpar constantemente o local e jogar cloro nos ralos. “Mas infelizmente esse material nos não é fornecido e temos que fazer vaquinha para comprar. Eles alegam que a secretaria não tem verba para comprar cloro. Pode isso?”

Acrescenta o servidor que a limpeza no CRAS é feita apenas uma vez por semana por uma servidora que fica disponível na recepção da Secretaria de Assistência Social. “Ela é protegida e sempre que é questionada pelos servidores, afirma que se trata de um serviço emporcalhado e que só pode fazê-lo uma vez por semana”.

 

Notificação

Alencar Marim, Paulinho da Ótica e Agraciene

Após representação, o Conselheiro Relator Carlos Ranna de Macedo, resolveu notificar o prefeito Alencar Marim, o Secretário Municipal de Administração, Manoel Paulo de Oliveira Neto (Paulinho da Ótica) e a servidora Agraciene da Silva Veríssimo de Alcântara, para que se manifestem sobre as supostas irregularidades apontadas.

O outro lado

SiteBarra procurou a prefeitura de Barra de São Francisco para apurar as denúncias. Segundo a assessoria, Agraciene está de férias e a reportagem não teve acesso direto com ela.

Em nota, a prefeitura esclareceu que desconhece as situações apresentadas. Veja abaixo a nota na íntegra.

Nota

Em resposta ao pedido de informações, solicitado nesta segunda-feira (09/04/2018), pelo SiteBarra, a Prefeitura de Barra de São Francisco informa que desconhece tais situações apresentadas.

Até o presente momento, o setor administrativo não recebeu qualquer queixa em desfavor da servidora Agraciene da Silva Veríssimo de Alcântara referente a mau comportamento. Também é uma inverdade dizer que o Secretário de Assistência Social, Sr. Adenir Gomes de Moura segue as orientações da servidora na tomada de decisões da pasta.

Tanto na sede da Secretaria Municipal de Assistência Social (Centro), quanto no CRAS, que fica no bairro Nova Barra, ambos possuem purificador de água, e até o momento a Cesan, empresa responsável pelo tratamento de água no município de Barra de São Francisco-ES, não apresentou qualquer restrição quanto ao consumo da mesma. Comprar água para o consumo fica a critério do servidor.

O ponto eletrônico já foi implantado em alguns setores, inclusive, em atendimento ao Ministério Público (MP), e o mesmo será feito gradativamente nos demais departamentos que compõem esta prefeitura. Os setores que ainda não possuem o equipamento eletrônico seguem realizando o registro de frequência manualmente. O mesmo se dá devido a questões de caixa.

Assessoria de Comunicação