Visita de Hartung à Barra de São Francisco ainda é assunto no meio político

A política francisquense começou o 2018 agitada, com movimentações que surpreendem até os mais antigos militantes. A visita do governador Paulo Hartung (PMDB) na última terça-feira (9), por exemplo, foi um divisor de águas para vários políticos e correligionários.

A visita de Hartung ainda repercute em todos os cantos da cidade e também nas redes sociais. Além de mostrar várias mudanças, a passagem do governador acabou também com algumas dúvidas que pairavam sobre a cabeça de muitos céticos.

O troca-troca entre o deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD) e o ex-prefeito Luciano Pereira (DEM), por exemplo, ainda está rendendo comentários por todos os lados.

Logo que foi eleito deputado, Enivaldo fez questão de mostrar a todos que Barra de São Francisco servia-lhe apenas para arrancar alguns votos, pois tratou de mudar rapidamente para a capital, inclusive transferindo título de eleitor. Mas agora, com eleição se aproximando, ele volta, e volta com tudo. Mesmo não sendo mais seu domicílio eleitoral, foi o deputado que recepcionou o governador em Barra de São Francisco.

Se fosse antigamente, a situação poderia ser mais constrangedora e pegar muitos de surpresa, mas em tempos de redes sociais, a notícia que ele seria o anfitrião correu e acendeu uma luz no ninho dos Pereiras.  Luciano, que sempre foi o preferido de Hartung na cidade, tratou de correr para os braços de Renato Casagrande, principal desafeto político de Paulo Hartung e que, há bem pouco tempo, era quem passeava em Barra de São Francisco com Enivaldo.

Depois de ser trocado pelo deputado do PSD, Luciano deixou no ar um recado simples e direto: Se Enivaldo e Hartung estão juntos, vou me consolar com Casagrande, que também precisa de consolo, pois foi abandonado por Enivaldo, que não resistiu aos encantos e da sombra que só quem está no poder pode proporcionar.

Mas como todos sabem, isso é política e em política…

Outro fato que está tirando o sono de muita gente é Alencar, pela primeira vez em seu mandato, assumir publicamente sua relação direta com Enivaldo. Estava tudo ensaiado, na ponta da língua e ele não decepcionou, não errou o script. Fez tudo direitinho, como na antiga brincadeira de criança, “seu mestre mandou”.

Para parte da população, que ainda acreditava em uma independência política do prefeito Alencar Marim (PT), o clima foi de grande decepção.

O prefeito Alencar Marim se derreteu todo ao fazer declarações públicas de amizade e agradecimentos ao deputado Enivaldo dos Anjos. Apesar dessa relação não ser novidade para muita gente, alguns relutavam em pregar uma independência política do afilhado político de Enivaldo.

No início do mandato, quando, claramente, o secretariado de Alencar foi formado por pessoas ligadas ao deputado, o grupo insistia em dizer que não havia e nunca haveria interferência de Enivaldo na administração.

Mas quem esteve no centro da cidade nesta última terça-feira percebeu que o prefeito de Barra de São Francisco é muito mais dependente de Enivaldo dos Anjos do que se imaginava. O leão Alencar, dos tempos de campanha parecia mais um gatinho inofensivo.

Companheiros, que durante a campanha ajudaram, até desmarcar comício para que o grupo não fosse visto ao lado de Enivaldo, dessa vez tiveram que baixar a cabeça e aceitar que não será dessa vez que um grupo será formado independente de Pereiras e dos Anjos.

O Alencar, pobre Alencar, que pregava mudança, agora é só mais um.

O Alencar, que pregava independência política, é só mais um apadrinhado de Enivaldo dos Anjos, como foi Waldeles Cavalcante e outros que passaram pela prefeitura.

O Alencar, que sonhava em fazer uma administração que ficasse marcada na história, terá que se contentar em ouvir que foi Enivaldo que fez através dele.

E os eleitores, aqueles que sonhavam com uma cidade livre dos dois grupos políticos que comandam a cidade durante décadas, esses terão que esperar um pouco mais, pois não será dessa vez.

Quem votou acreditando que havia ou que haveria um grupo independente, hoje assume que foi enganado.

Mas o que isso representa para a cidade? Isso é bom ou ruim? Essa é outra história. Pode ser bom, pode ruim, pode ser ótimo ou pode ser péssimo, isso só o tempo dirá. O ideal é que seja muito melhor do que já foi.

Por enquanto, a única coisa certa é que, a mudança tão esperada, ficará para 2020, quando, quem sabe, surgirá um grupo que não baixe a cabeça para os coronéis que mandam e desmandam na política da cidade.

Fonte: SiteBarra